Junho é o mês em que Portugal cheira a sardinha assada e manjerico. Os Santos Populares — Santo António, São João e São Pedro — transformam bairros inteiros em arraiais ao ar livre, com bandeirinhas de papel penduradas entre as janelas, música popular até de madrugada e milhares de pessoas na rua. Para quem vive cá, é a época mais esperada do ano; para quem visita, é a forma mais rápida de perceber como Lisboa e o Porto sabem festejar.
Faltam ainda alguns meses, mas as datas principais dos Santos Populares não mudam de ano para ano — por isso já dá para planear. Neste guia explicamos o que acontece em cada cidade, as datas de 2027 e algumas dicas para aproveitares (e guardares boas fotos) das noites mais longas do verão.
As datas de 2027
Os Santos Populares seguem o calendário litúrgico, por isso as datas são fixas:
- Santo António (Lisboa) — a grande noite é de 12 para 13 de junho. Em 2027, 12 de junho calha a um sábado e 13 de junho, feriado municipal em Lisboa, a um domingo.
- São João (Porto e Braga) — a noite de festa é de 23 para 24 de junho. Em 2027, 23 de junho é uma quarta-feira e 24 de junho, feriado municipal no Porto, uma quinta-feira.
- São Pedro — 28 para 29 de junho, com destaque para a Póvoa de Varzim, onde 29 de junho é feriado municipal.
Os programas detalhados (palcos, concertos, arraiais oficiais) só são divulgados mais perto da data. Vai acompanhando a nossa agenda de próximos eventos.
Lisboa: Santo António, marchas e arraiais
Santo António é o santo mais popular de Lisboa — nasceu na cidade, apesar de ser conhecido no resto do mundo como Santo António de Pádua. Durante praticamente todo o mês de junho, os bairros históricos enchem-se de arraiais, mas a noite de 12 para 13 é o ponto alto.
As Marchas Populares na Avenida da Liberdade
As Marchas Populares são o momento mais emblemático da festa. A tradição começou em 1932 e consiste num desfile de grupos dos vários bairros de Lisboa, cada um com trajes feitos à mão, arcos decorados, uma música original e uma coreografia ensaiada durante meses. Na noite de 12 de junho, as marchas descem a Avenida da Liberdade perante milhares de pessoas e com transmissão em direto na televisão.
Um detalhe que pouca gente conhece: a avaliação do júri não é feita no desfile da Avenida. As marchas são avaliadas dias antes, numa apresentação num pavilhão fechado (nos últimos anos, a Altice Arena). O desfile na Avenida é a festa em si — e é por isso que vale a pena ir, mesmo sem perceber nada de concursos.
Se queres um bom lugar na Avenida, chega cedo: a primeira fila ao longo do passeio enche-se muito antes de as marchas começarem. A Avenida fecha ao trânsito ao fim da tarde, por isso o metro é a melhor forma de lá chegares.
Os Casamentos de Santo António
No mesmo dia 12 de junho celebram-se os Casamentos de Santo António, uma tradição em que vários casais se casam na mesma cerimónia, com transmissão televisiva. À noite, os noivos também desfilam na Avenida durante as marchas.
Arraiais nos bairros históricos
Depois das marchas (ou em vez delas), a festa continua nos bairros: Alfama, Mouraria, Graça, Bica e Madragoa são alguns dos mais animados. Aqui a regra é simples — sardinha no pão, caldo verde, uma bifana, um copo e música popular a tocar até de madrugada. As ruas estreitas ficam muito cheias, por isso combina pontos de encontro com o teu grupo.
E não te esqueças do manjerico: o pequeno vaso de manjerico com uma quadra popular espetada num cravo de papel é o presente tradicional destas festas. Diz a tradição que não se cheira diretamente — passa-se a mão por cima e cheira-se a mão.
Se aproveitares a visita para fotografar a cidade de dia, temos um guia dos melhores locais para fotografar em Lisboa. O Miradouro de Santa Luzia, mesmo por cima de Alfama, é um ótimo ponto de partida para descer até aos arraiais.
Porto: a noite de São João
Se Lisboa tem as marchas, o Porto tem a noite mais animada do ano. O São João é uma festa com raízes nas antigas celebrações do solstício de verão, que foi depois associada a São João Batista. A noite de 23 para 24 de junho é vivida na rua, praticamente por toda a cidade.
Martelinhos, alho-porro e balões
O símbolo mais conhecido do São João é o martelinho de plástico, com que se dá uma pancadinha na cabeça de amigos e desconhecidos. Os martelinhos apareceram nos anos 60, mas a tradição é mais antiga: antes deles usava-se o alho-porro, que ainda se vende nas ruas e é associado à sorte. Também é tradição lançar balões de São João ao céu e saltar fogueiras em alguns bairros.
Fogo de artifício sobre o Douro
À meia-noite, o grande momento é o fogo de artifício sobre o rio Douro, lançado junto à zona ribeirinha e sincronizado com música. A Ribeira, o tabuleiro superior da Ponte Luís I e, do outro lado do rio, o Cais de Gaia e o Miradouro da Serra do Pilar são pontos muito procurados — tanto que convém chegar com bastante antecedência. Para conheceres melhor estes sítios, vê o nosso guia dos miradouros do Douro em Gaia.
Até ao nascer do sol
Depois do fogo, muitos portuenses seguem a pé até à Foz do Douro ou a Matosinhos, para esperar o nascer do sol junto ao mar. Pelo caminho, os arraiais nos bairros — Fontainhas, Miragaia, Bonfim, Massarelos, Sé — mantêm a festa viva com sardinha, caldo verde e música.
Braga, Póvoa de Varzim e outras festas
O São João não é exclusivo do Porto. Em Braga, as festas sanjoaninas duram vários dias (em 2026 foram de 17 a 24 de junho) e culminam também na noite de 23 para 24, com martelinhos, alho-porro e o cortejo das rusgas. Na Póvoa de Varzim, o São Pedro é a grande festa da cidade: na noite de 28 de junho, os bairros saem à rua com as suas rusgas, e o dia 29 é feriado municipal.
Um pouco por todo o país, concelhos e freguesias organizam os seus próprios arraiais ao longo de junho. Vale a pena espreitar a secção de eventos de festas ou procurar por eventos na tua zona.
Dicas para aproveitar as noites dos Santos
- Transportes públicos: nas noites de 12 e 23 de junho há ruas cortadas ao trânsito no centro de Lisboa e do Porto. Metro, comboio ou a pé são as opções mais seguras.
- Dinheiro trocado: muitos arraiais pequenos são geridos por coletividades e associações de bairro, e nem todos aceitam cartão.
- Calçado confortável: vais andar muito, em calçada portuguesa e ruas inclinadas.
- Respeita os moradores: os arraiais acontecem em bairros onde vive gente. Lixo no caixote e algum cuidado com o barulho ao fim da noite fazem diferença.
Fotografar os Santos Populares
As marchas, os arraiais e o fogo de artifício são momentos muito fotogénicos — mas também difíceis de fotografar com telemóvel: pouca luz, muita gente e movimento constante. Fotografar com as luzes dos arraiais ao fundo e o grupo em primeiro plano costuma resultar melhor do que tentar apanhar a multidão inteira. Para o fogo de artifício, apoia o telemóvel num muro ou corrimão e usa o modo noturno.
Em arraiais e festas com cobertura profissional, há uma alternativa: na FomoShoot, as fotos tiradas pelos fotógrafos ficam numa galeria privada do evento e cada pessoa encontra as suas com uma pesquisa por selfie — sem galeria pública e sem teres de pedir fotos a ninguém no dia seguinte. Se és organizador de um arraial, festa de bairro ou festival de verão e queres oferecer isso aos teus participantes, vê como funciona a parceria com organizadores.
Junho de 2027 ainda está longe, mas as noites de Santo António e São João passam depressa. Marca as datas, combina com os amigos e acompanha os próximos eventos na FomoShoot.