Poucos países europeus têm tanta onda em tão pouca costa. Entre a Ericeira e a Nazaré cabem uma reserva mundial de surf, uma etapa do circuito de elite da World Surf League (WSL) e as maiores ondas alguma vez surfadas. E outubro é precisamente o mês em que tudo isto se junta: as competições chegam à costa e começa a época das ondas grandes.
Este guia explica que provas acontecem em Portugal, quando, e onde te deves pôr para ver — e fotografar — o surf como deve ser, mesmo que nunca tenhas subido para uma prancha.
Atualizado a 6 de outubro de 2026. Os períodos de competição dependem das condições do mar: confirma sempre os dias de prova no site da WSL antes de te deslocares.
Peniche: o circuito mundial em Supertubos
Supertubos, a sul da cidade de Peniche, é a onda mais famosa de Portugal na competição. É um beach break — a onda parte sobre areia, não sobre rocha — que, nas condições certas, forma tubos rápidos e pesados junto à praia. É por isso que é tão espetacular de ver: a ação acontece perto da areia, ao alcance de qualquer pessoa sentada na duna.
É aqui que se disputa o MEO Rip Curl Pro Portugal, a etapa portuguesa do Championship Tour, o circuito de elite da WSL. Em 2026, o período de prova está marcado para 16 a 25 de outubro, segundo o calendário oficial da WSL. Nos últimos anos, a etapa de Peniche realizava-se em março; em 2026 passou para outubro, já na reta final da temporada.
Como ver:
- Um período de prova de dez dias não significa dez dias de competição. A organização escolhe, dia a dia, os momentos com melhores ondas — por isso há dias com heats de manhã à noite e dias sem nada. Acompanha os anúncios diários ("call") da WSL antes de saíres de casa.
- Em dias de prova, a praia enche e o estacionamento junto a Supertubos esgota cedo. Chega cedo ou estaciona mais longe e faz o resto a pé.
- Leva roupa quente e corta-vento: em outubro, o fim de tarde na duna arrefece depressa.
Fora das provas, Peniche e o Baleal são uma das zonas mais completas do país para aprender: há escolas de surf ao longo de todo o ano e, graças à forma da península, quase sempre há um lado com condições para principiantes.
Ericeira: a Reserva Mundial de Surf
Em 2011, a Ericeira tornou-se a primeira Reserva Mundial de Surf da Europa, uma distinção atribuída pela organização Save The Waves Coalition. A classificação reconhece a qualidade e a consistência das ondas, mas também a cultura de surf local e o apoio da comunidade à proteção da costa.
A onda mais conhecida em competição é Ribeira d'Ilhas, uma direita longa numa baía rodeada de falésias — um anfiteatro natural, com o público sentado na encosta a ver a ação lá em baixo. É aqui que decorre o EDP Ericeira Pro, uma etapa do Challenger Series da WSL (o circuito de acesso ao Championship Tour), marcada para 6 a 12 de outubro de 2026. Ou seja: se estás a ler isto na semana em que foi publicado, a prova está a acontecer.
Como ver:
- O melhor sítio é a encosta sobre Ribeira d'Ilhas, que dá uma vista de cima sobre toda a onda.
- A vila da Ericeira fica a poucos quilómetros; em dias de prova, combina a praia com um passeio pelo centro e pelo porto de pesca.
- A costa da reserva tem ondas muito diferentes entre si, algumas só para surfistas experientes. Se fores surfar e não conheces o sítio, pergunta numa escola ou num surf shop local qual é a onda indicada para o teu nível.
Nazaré: a Praia do Norte e as ondas gigantes
A Praia do Norte, na Nazaré, é provavelmente a praia portuguesa mais conhecida no mundo. A razão está debaixo de água: o Canhão da Nazaré, um enorme desfiladeiro submarino que concentra a energia das ondulações do Atlântico e faz com que, em dias de inverno, as ondas atinjam dimensões que quase não se veem noutro lado.
Os números falam por si. O alemão Sebastian Steudtner detém o recorde do Guinness para a maior onda alguma vez surfada por um homem: 26,21 metros, na Praia do Norte, a 29 de outubro de 2020. A medição demorou mais de um ano e meio e o recorde foi oficializado em 2022.
Nestas ondas não se entra a remar: o surf faz-se em tow-in, com o surfista rebocado por uma mota de água que o larga já na onda — e que tem de o ir buscar depois, no meio da espuma.
A competição. O TUDOR Nazaré Big Wave Challenge, da WSL, é uma prova de um só dia, em equipas, no formato tow-in. Como depende de uma ondulação gigante com vento favorável, não tem data fixa: há um período de espera que se estende pelo outono e inverno (na época passada, decorreu até 31 de março de 2026) e a prova só é "chamada" com poucos dias de antecedência. A edição 2025/2026 realizou-se em dezembro de 2025. O período de espera da época 2026/2027 deve ser anunciado pela WSL.
Como ver:
- O ponto clássico é o Forte de São Miguel Arcanjo, com o farol, no promontório sobre a Praia do Norte. O forte tem uma exposição dedicada às ondas e ao canhão submarino.
- As ondas maiores aparecem sobretudo entre outubro e março. Fora dessa época, a Praia do Norte pode estar perfeitamente calma.
- Em dias de ondas gigantes, o promontório enche: chega cedo, respeita as vedações e nunca desças às rochas junto ao mar. A rebentação na Nazaré é perigosa mesmo para quem só está a ver.
- Segue as previsões de ondulação nos dias anteriores — é a forma de não fazeres a viagem em vão.
Calendário rápido
| Quando | O quê | Onde |
|---|---|---|
| 6 a 12 de outubro de 2026 | EDP Ericeira Pro (Challenger Series) | Ribeira d'Ilhas, Ericeira |
| 16 a 25 de outubro de 2026 | MEO Rip Curl Pro Portugal (Championship Tour) | Supertubos, Peniche |
| Outono e inverno (data móvel) | TUDOR Nazaré Big Wave Challenge | Praia do Norte, Nazaré |
Fotografar surf a partir da praia
Ver surf ao vivo dá vontade de fotografar — e é dos desportos mais difíceis de apanhar bem com um telemóvel. Algumas dicas para levares fotos melhores para casa:
- Distância focal é tudo. Em Supertubos e em Ribeira d'Ilhas a ação está relativamente perto, mas uma teleobjetiva (200 mm ou mais) faz toda a diferença. No telemóvel, usa a lente de zoom ótico, se tiveres, em vez do zoom digital.
- Velocidade de obturação alta. Para congelar a água e o surfista, trabalha a 1/1000 s ou mais rápido. Em modo automático, o modo desporto ajuda.
- Rajadas no momento certo. A manobra dura um segundo; dispara em rajada desde que o surfista se põe de pé.
- Atenção à luz. De manhã cedo e ao fim da tarde a luz é mais quente e lateral, e realça a textura da onda. Ao meio-dia, a água fica muitas vezes "queimada".
- Protege o equipamento. Spray de água salgada e areia são inimigos de qualquer câmara. Leva um pano de microfibra e não troques de objetiva ao vento.
Para mais truques sobre luz e horários, lê o nosso artigo sobre fotografia desportiva ao amanhecer.
E quando és tu na água?
Se fizeste uma aula de surf, um campeonato local ou uma prova de bodyboard, as melhores fotos tuas quase nunca são as que alguém tirou da areia com o telemóvel. Quando há fotógrafos profissionais a cobrir um evento na FomoShoot, encontras as fotos em que apareces com uma pesquisa por selfie, sem teres de percorrer centenas de imagens de outras pessoas — e só pagas as que quiseres. Vê os eventos publicados em surf e bodyboard ou procura o teu em encontrar evento.
E se és fotógrafo e passas as manhãs de inverno na duna com uma teleobjetiva, a FomoShoot permite-te vender as fotos de surf a quem lá esteve. Se organizas provas ou geres uma escola de surf, a página para organizadores explica como dar aos teus participantes acesso às fotos de cada sessão.
