Os Açores são o tipo de destino que parece ter sido feito para quem gosta de fotografar: lagoas dentro de crateras, montanhas que saem do mar, fumarolas, vinhas sobre lava negra e uma luz que muda a cada meia hora. Nove ilhas no meio do Atlântico, cada uma com a sua personalidade — e um clima que obriga a ter paciência e um plano B.

Este roteiro junta os locais mais fotogénicos do arquipélago, começando por São Miguel (onde chega a maioria dos visitantes) e seguindo para as ilhas do grupo central e ocidental, com dicas práticas para cada um.

Antes de ir: o tempo manda

Há uma frase que qualquer açoriano te vai repetir: nos Açores podes ter as quatro estações num só dia. Para quem fotografa, isso significa duas coisas:

  • Os miradouros mais altos ficam muitas vezes dentro das nuvens. Não é raro chegares às Sete Cidades ou à Lagoa do Fogo e não veres nada. Consulta as webcams e as previsões no próprio dia e mantém o roteiro flexível.
  • As nuvens também são o que torna as fotos especiais. Raios de sol a romper sobre uma lagoa, nevoeiro a escorrer pela encosta, arco-íris quase diários — a luz dramática dos Açores compensa a espera.

Leva sempre um corta-vento impermeável, uma capa para a mochila e um pano para limpar a objetiva. E não planeies só um dia para os sítios que mais te importam.

São Miguel: Sete Cidades

A imagem mais famosa dos Açores é a das Sete Cidades: duas lagoas dentro de uma enorme caldeira vulcânica, a Lagoa Azul e a Lagoa Verde, separadas apenas por uma ponte estreita. Segundo a lenda, nasceram das lágrimas de uma princesa de olhos azuis e de um pastor de olhos verdes que não podiam ficar juntos.

Onde fotografar:

  • Miradouro da Vista do Rei — o postal clássico, com as duas lagoas e a freguesia das Sete Cidades lá em baixo. Chega-se de carro e a vista é imediata. O nome vem da visita do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia, em 1901.
  • Miradouro da Boca do Inferno — para muitos, a vista mais bonita da ilha: as lagoas das Sete Cidades, a Lagoa do Canário e a Lagoa Rasa num só enquadramento. Estaciona junto à Lagoa do Canário e segue a pé durante cerca de um quarto de hora; confirma o horário do parque florestal à entrada.

A luz da manhã costuma ser a mais limpa, antes de as nuvens subirem a encosta. Se estiver nevoeiro em cima, desce à vila e fotografa as lagoas ao nível da água — os reflexos em dias sem vento são uma alternativa excelente.

São Miguel: Lagoa do Fogo

No centro da ilha, a Lagoa do Fogo ocupa a caldeira de um vulcão e é reserva natural desde 1974. É mais selvagem do que as Sete Cidades: não há casas, só a água, as encostas verdes e uma praia de areia clara na margem. Os miradouros na estrada que sobe a serra dão as vistas mais amplas; quem tiver tempo pode descer a pé até à margem pelo trilho sinalizado.

Tal como nas Sete Cidades, as nuvens chegam e partem em minutos. Se a lagoa estiver tapada, espera um pouco antes de desistires.

São Miguel: Furnas

As Furnas são o lado mais vivo do vulcanismo açoriano. Na vila e junto à Lagoa das Furnas há caldeiras onde a água ferve à superfície e o vapor sobe da terra — é aqui que se cozinha o famoso cozido das Furnas, enterrado em panelas no solo quente durante várias horas. Ver as panelas a serem desenterradas ao fim da manhã é um dos momentos mais fotografados da ilha.

Na vila, o Parque Terra Nostra tem um jardim botânico centenário e um grande tanque de água termal férrea, de cor alaranjada, onde se pode tomar banho. Para fotografar o vapor das caldeiras, prefere dias frescos e a luz lateral da manhã: o fumo fica mais visível e ganha volume.

Pico: a montanha mais alta de Portugal

A Montanha do Pico, com 2351 metros, é o ponto mais alto de Portugal. Vê-se de quase todo o grupo central — e é das ilhas vizinhas, sobretudo do Faial e de São Jorge, que se tiram algumas das fotos mais bonitas do cone perfeito a sair do mar.

Subir à montanha é uma experiência à parte, mas exige preparação: o registo na Casa da Montanha é obrigatório, cada pessoa leva um equipamento de localização GPS e o número de visitantes é limitado. É uma subida longa e exigente, que não deve ser feita com mau tempo. Confirma as regras em vigor e as condições meteorológicas antes de ires.

Cá em baixo, a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, classificada pela UNESCO desde 2004, é igualmente fotogénica: milhares de pequenos currais de pedra negra de basalto a proteger as videiras do vento e do mar. Ao fim da tarde, a pedra escura e o verde das vinhas contrastam com o azul do Atlântico.

Faial: os Capelinhos e a Horta

No extremo oeste do Faial, o Vulcão dos Capelinhos é uma paisagem quase lunar. Entre setembro de 1957 e outubro de 1958, uma erupção que começou no mar, a cerca de um quilómetro da costa, acabou por criar terra nova ligada à ilha. O velho farol, meio soterrado pelas cinzas, é hoje a imagem de marca do lugar, e o centro de interpretação conta a história da erupção.

Para fotografar, a luz rasante do fim da tarde realça as texturas das cinzas e das escarpas. Na cidade da Horta, a marina — com as pinturas deixadas pelas tripulações dos veleiros que atravessam o Atlântico — e a vista para o Pico do outro lado do canal completam o dia.

Terceira: Angra do Heroísmo

A zona central de Angra do Heroísmo foi classificada como Património Mundial pela UNESCO em 1983. As ruas de casas coloridas, as igrejas e os palácios lembram o tempo em que Angra era escala obrigatória das rotas atlânticas.

A melhor vista da cidade é do Pico das Cruzinhas, o ponto mais alto do Monte Brasil, a península vulcânica que fecha a baía. Chega-se de carro ou a pé e, ao pôr do sol, tens a cidade inteira à tua frente.

Flores: cascatas e colunas de basalto

A ilha das Flores, no grupo ocidental, é para muitos a mais bonita do arquipélago — e a mais difícil de fotografar com pressa, porque o tempo muda ainda mais depressa do que no resto dos Açores.

  • Poço da Ribeira do Ferreiro (também conhecido como Poço da Alagoinha) — uma parede de rocha coberta de verde de onde descem dezenas de cascatas para uma pequena lagoa. Chega-se por um trilho curto. Usa uma velocidade lenta (com tripé ou apoiado numa pedra) para dar o efeito sedoso à água.
  • Rocha dos Bordões — um paredão de colunas de basalto verticais, formadas pelo arrefecimento da lava, que parecem tubos de um órgão gigante.

Dicas práticas para fotografar nos Açores

  • Distâncias curtas, tempos longos. As estradas são boas, mas sinuosas, e vais querer parar em todos os miradouros. Conta com mais tempo do que o GPS indica.
  • Objetiva grande angular e filtro polarizador. Ajudam nas paisagens de lagoas e a controlar reflexos na água e no céu.
  • Proteção contra a humidade. Sacos estanques e sílica gel na mochila salvam o equipamento.
  • Respeita os trilhos. Muitos locais estão em áreas protegidas: segue os percursos sinalizados e não pises a vegetação para conseguir "aquele" ângulo.

Fotos tuas, não só da paisagem

Em viagem, é fácil voltar com centenas de fotografias de lagoas e quase nenhuma em que apareces. A FomoShoot tem fotógrafos profissionais em locais turísticos de Portugal: és fotografado enquanto visitas e, mais tarde, encontras as tuas fotos com uma pesquisa por selfie. Explicamos o processo em como funcionam as sessões em locais turísticos, e a lista de locais com sessões ativas está sempre atualizada em fomoshoot.com/locais.

Se estás a planear outras viagens pelo país, junta a este roteiro o guia da Madeira, o de Sintra e o das praias e falésias do Algarve. E se és fotógrafo nas ilhas e queres vender sessões a quem as visita, a página de parceria com fotógrafos explica como começar.