Poucos atletas em qualquer desporto são tão abertos sobre o próprio treino e sobre o estado do seu desporto como Kilian Jornet. O montanhista catalão — um dos nomes mais decorados da história do trail e do ski de montanha — publica regularmente no seu site pessoal análises longas, com dados, metodologia e opinião, em vez de se limitar a comunicados de patrocinadores.

Em janeiro de 2026 publicou Trail Running 2026, where are we, where are we going, um texto que percorre dez desenvolvimentos que, para ele, estão a moldar o desporto: desde a possível entrada do trail running nos Jogos Olímpicos até aos modelos de remuneração dos atletas profissionais.

O fio condutor do artigo é uma tensão que Jornet descreve sem grandes rodeios: a profissionalização está a transformar o trail running — mais dinheiro, mais visibilidade, mais estrutura — ao mesmo tempo que ameaça o que sempre definiu o desporto para muita gente: o acesso simples, técnico, quase informal a correr montanha.

Uma perspetiva rara, vinda de dentro

Não é um texto de jornalista a observar de fora, nem de uma marca a vender uma narrativa — é de alguém que vive no centro dessas mudanças há duas décadas, a escrever sobre elas com o mesmo rigor que aplica ao próprio treino. Para quem gosta de perceber para onde vai este desporto, e não só os resultados da última corrida, vale a pena ler o artigo completo na fonte.

Se é o teu primeiro contacto com o trail running, o nosso guia de percursos em Portugal é um bom ponto de partida mais próximo de casa.